Mostrando postagens com marcador Literatura Brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Brasileira. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de maio de 2016

A ESCRAVA ISAURA - Atividades referentes ao Romance

TEXTO 01
“Leôncio achara desde a infância nas larguezas e facilidades de seus pais amplos meios de corromper o coração e extraviar a inteligência. Mau aluno e criança incorrigível, turbulento e insubordinado, andou de colégio em colégio e passou como   gato por brasas por cima de todos os preparatórios, cujos exames, todavia, sempre salvara à sombra do patronato. Os mestres não se atreviam a dar ao nobre e munífico comendador o desgosto de ver seu filho reprovado. Matriculado na escola de medicina logo no primeiro ano enjoou-se daquela disciplina, e como seus pais não sabiam contrariá-lo, foi para Olinda a fim de frequentar o curso jurídico. Ali, depois de ter dissipado não pequena porção da fortuna paterna na satisfação de todos os seus vícios e loucas fantasias, tomou tédio também aos estudos jurídicos e ficou entendendo que só na Europa poderia desenvolver dignamente a sua inteligência e saciar a sua sede de saber, em puros e abundantes mananciais. Assim escreveu ao pai, que deu-lhe crédito e o enviou a Paris, donde esperava vê-lo voltar feito um novo Humboldt. Instalado naquele vasto pandemônio do luxo e dos prazeres, Leôncio, raras vezes, e só por desfastio, ia ouvir as eloquentes preleções dos exímios professores da época e nem tampouco era visto nos museus, institutos e bibliotecas. Em compensação era assíduo frequentador do Jardim Mabile, assim como de todos os cafés e teatros mais em voga, e tornara-se um dos mais afamados e elegantes leões dos bulevares”.
GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. São Paulo, Editora Ática, 17ª edição,1991.

01.  O tema do texto é:
A)   A descrição do caráter de Leôncio, tomando como exemplo sua conduta quando criança e adolescente.
B)   A maneira eficaz dos pais educarem seu filho único, não esquecendo de repassar a ele valores como ética, nacionalismo, amor aos pais.
C)   A situação precária do ensino no país que forçou os pais de Leôncio a patrocinarem seus estudos em Paris.
D)   A preocupação dos pais de Leôncio em relação a sua educação, primando sempre por boas universidades e professores de excelência.
E)   A triste situação de Leôncio que, desde cedo, teve que se separar dos pais para estudar fora do país.

02.  Em “(…) andou de colégio em colégio e passou como gato por brasas por cima de todos os preparatórios (…)”, a expressão destacada tem o sentido de:
A)   Passou, com muito esmero, por cima de todos os preparatórios.
B)   Passou, conforme a maioria dos alunos, por cima de todos os preparatórios.
C)   Passou, de maneira abrupta, por cima de todos os preparatórios.
D)   Passou, de maneira superficial, por cima de todos os preparatórios.
E)   Passou, de modo discreto, por cima de todos os preparatórios.

03.  O trecho “(…)Leôncio, raras vezes, e só por desfastio, ia ouvir as eloquentes preleções dos exímios professores da época e nem tampouco era visto nos museus, institutos e bibliotecas.” refere-se:
A)   À falta de interesse de Leôncio no que diz respeito aos estudos e ao conhecimento.
B)   Á necessidade que Leôncio tinha em ouvir as palestras de seus professores.
C)  Ao excesso de confiança de Leôncio em seus conhecimentos, acreditando não seu necessária tanta dedicação.
D)   Ao fato de Leôncio não entender as aulas ministradas e preferir afastar-se do ambiente acadêmico.
E)  Ao número excessivo de vezes que Leôncio era visto nos ambientes culturais da cidade.

TEXTO 02
“Mas essa tal ou qual tranquilidade só durou até o dia em que, pela primeira vez, viu Álvaro. Amou-o com esse amor exaltado das almas elevadas que amam pela primeira e única vez e esse amor, como bem se compreende, veio tornar ainda mais crítica e angustiosa a sua já tão precária e mísera situação”.
GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. São Paulo, Editora Ática, 17ª edição,1991.

04.  O tema do fragmento citado é típico do Romantismo Brasileiro, configurando uma forte característica dos heróis e heroínas dessa escola literária. O fundamento dessa característica é:
A)   A angústia causada pela ausência do verdadeiro amor.
B)   A certeza de que o verdadeiro amor não acentua os obstáculos que a vida oferece.
C)   A crença no amor à primeira vista e na singularidade desse acontecimento.
D)   A tranquilidade resultante da certeza de sentir-se amado.
E)   O alívio causado pela descoberta do primeiro amor.

TEXTO 03
“- Tu o disseste, Geraldo, amo-a muito, e hei de amá-la sempre, nem disso faço mistério algum. E será coisa estranha ou vergonhosa amar-se uma escrava? O patriarca Abraão amou sua escrava Agar, e por ela abandonou Sara, sua mulher. A humildade de sua condição não pode despojar Isaura da cândida e brilhante auréola de que a via e até hoje a vejo circundada. A beleza e a inocência são astros que mais refulgem quando engolfados na profunda escuridão do infortúnio.
- É bela a tua filosofia e digna de teu nobre coração, mas que queres? As leis civis, as convenções sociais, são obras do homem, imperfeitas, injustas e, muitas vezes, cruéis. O anjo padece e geme sob o jogo da escravidão, e o demônio exalça-se ao fastígio da fortuna e do poder”.
GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. São Paulo, Editora Ática, 17ª edição,1991.

05.  Ao utilizar-se em seu argumento o exemplo bíblico da patriarca Abraão, que abandonou sua esposa Sara pelo amor da escrava Agar, Álvaro pretende:
A)   Convencer seu amigo Geraldo de que não é loucura todo o amor devotado a Isaura.
B)  Defender a tese de que a beleza de Isaura é enaltecida graças a sua condição de escrava.
C) Explicar ao amigo que o infortúnio da escravidão sempre serviu de obstáculo aos amantes.
D)   Mostrar que a condição de escrava de sua amada aguça a ambição de seu senhor.
E)   Ressaltar que seu amor é proibido e praticamente impossível aos olhos de Deus e dos homens.

06.  Geraldo reflete sobre a condição de escrava de Isaura. Qual o ponto de vista do amigo de Álvaro?

 TEXTO 04
“ – Não gosto que a cantes, não, Isaura. Hão de pensar que és maltratada, que és uma escrava infeliz, vítima de senhores bárbaros e cruéis. Entretanto, passas aqui uma vida que faria inveja a muita gente livre. Gozas da estima de teus senhores. Deram-te uma educação como não tiveram muitas ricas e ilustres damas que eu conheço. És formosa e tens uma cor linda, que ninguém dirá que gira em tuas veias uma gota de sangue africano. Bem sabes quanto minha boa sogra antes de expirar te recomendava a mim e a meu marido. Hei de respeitar sempre as recomendações daquela santa mulher, e tu bem vês, sou mais tua amiga do que tua senhora. Oh! Não, não cabe em tua boca essa cantiga lastimosa, que tanto gostas de cantar. – Não quero – continuou em tom de branda repreensão – não quero que a cantes mais, ouviste Isaura? … se não fecho-te o meu piano”.

GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. São Paulo, Editora Ática, 17ª edição,1991

TEXTO 05


07.  No texto 04, Malvina se aborrece com a triste canção, que fala sobre o infortúnio da escravidão, cantada por Isaura. De acordo com o texto, Malvina:
A)  Concorda com a tristeza de Isaura, porém adverte a pobre escrava de que sua condição é bem melhor que a de outras escravas.
B)  Considera que não há a necessidade de libertar Isaura, pois a família já dedica a ela uma educação digna das grandes damas da sociedade.
C)   Destaca que a beleza de Isaura encontra-se na sua ascendência negra e que a moça deveria alegrar-se com o tratamento dedicado a ela.
D)  Mostra que Isaura deve sentir-se feliz, visto que é tratada como qualquer moça da sociedade.
E)   Reflete sobre a situação da mulher escrava no Brasil, bem como critica o preconceito racial existente.

08.  Destaque do texto 04 a passagem que reproduz uma visão preconceituosa em relação ao negro.

09.  No texto 05, a personagem Susanita expressa duas opiniões sobre preconceito racial. Indique essas duas opiniões e em qual delas Susanita realmente acredita.

10.  A personagem Susanita, do texto 05, bem como Malvina, no texto 04, expressam uma visão preconceituosa em relação ao negro. O problema da intolerância racial ainda é comum, nos dias de hoje, e atinge todas as classes sociais. Temos como exemplo atores, apresentadores, pessoas públicas em geral que sofrem injúrias raciais, através de postagens em suas redes sociais. Diante desse triste quadro, o que a sociedade ou o governo podem fazer para extinguir esse preconceito? Estabeleça ações, proponha soluções para o problema.

GABARITO
01.  A
02.  D
03.  A
04.  C
05.  A
06.  Geraldo acredita que as leis e as convenções sociais são obras do homem e, por esse motivo, são imperfeitas, injustas e cruéis. De acordo com ele, Isaura sofre com a sua condição de cativa e seu senhor, Leôncio, aproveita-se da situação para utilizar-se de seu poder e dinheiro para fortalecer seu domínio.
07.  D
08.  “És formosa e tens uma cor linda, que ninguém dirá que gira em tuas veias uma só gota de sangue africano”.
09.  Primeira opinião: Susanita não tem preconceito racial por acreditar que todos são iguais.
Segunda opinião: Susanita sai rapidamente para lavar o dedo após pegar no boneco, indicando que tem, sim, preconceito racial.
Na verdade, Susanita expressa na tirinha que possui, sim, preconceito.




.




sábado, 21 de maio de 2016

MOCIDADE E MORTE - CASTRO ALVES - Atividades referentes ao poema

MOCIDADE E MORTE
E perto avisto o porto
Imenso, nebuloso e sempre noite
Chamado - Eternidade-
(Laurindo)
Lasciate ogni speranza, voi ch'entrate.
(Dante)
Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
- Árabe errante, vou dormir à tarde
A sombra fresca da palmeira erguida.
Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.
Morrer... quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! o seio da amante é um lago virgem...
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! formosa mulher - camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas,
Minh'alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas ...
E a mesma voz repete-me terrível,
Com gargalhar sarcástico: - impossível!
Eu sinto em mim o borbulhar do gênio,
Vejo além um futuro radiante:
Avante! - brada-me o talento n'alma
E o eco ao longe me repete - avante! –
O futuro... o futuro... no seu seio...
Entre louros e bênçãos dorme a glória!
Após - um nome do universo n’alma,
Um nome escrito no Panteon da história.
E a mesma voz repete funerária:
Teu Panteon - a pedra mortuária!
Morrer - é ver extinto dentre as névoas
O fanal, que nos guia na tormenta:
Condenado - escutar dobres de sino,
- Voz da morte, que a morte lhe lamenta –
Ai! morrer - é trocar astros por círios,
Leito macio por esquife imundo,
Trocar os beijos da mulher - no visco
Da larva errante no sepulcro fundo,
Ver tudo findo... só na lousa um nome,
Que o viandante a perpassar consome.
E eu sei que vou morrer... dentro em meu peito
Um mal terrível me devora a vida:
Triste Ahasverus, que no fim da estrada,
Só tem Por braços uma cruz erguida.
Sou o cipreste, qu'inda mesmo florido,
Sombra de morte no ramal encerra!
Vivo - que vaga sobre o chão da morte,
Morto - entre os vivos a vagar na terra.
Do sepulcro escutando triste grito
Sempre, sempre bradando-me: maldito! ~
E eu morro, ó Deus! na aurora da existência,
Quando a sede e o desejo em nós palpita..
Levei aos lábios o dourado pomo,
Mordi no fruto podre do Asfaltita.
No triclínio da vida - novo Tântalo
O vinho do viver ante mim passa...
Sou dos convivas da legenda Hebraica,
O estilete de Deus quebra-me a taça.
É que até minha sombra é inexorável,
Morrer! morrer! soluça-me implacável.
Adeus, pálida amante dos meus sonhos!
Adeus, vida! Adeus, glória! amor! anelos!
Escuta, minha irmã, cuidosa enxuga
Os prantos de meu pai nos teus cabelos.
Fora louco esperar! fria rajada
Sinto que do viver me extingue a lampa...
Resta-me agora por futuro - a terra,
Por glória - nada, por amor - a campa.
Adeus... arrasta-me uma voz sombria,
Já me foge a razão na noite fria! ...
CASTRO ALVES

01.  Assinale a alternativa correta em relação ao poema Mocidade e Morte, de Castro Alves:
A)   A figura da mulher aparece, no poema, como fruto da imaginação do eu-lírico. Trata-se de uma virgem idealizada, inalcançável, expressando, assim, a frustração amorosa do eu-lírico.
B)  A valorização de elementos da natureza, presente nos trechos “Na flor silvestre, que embalsama os ares”, “A sombra fresca da palmeira erguida”, confere ao poema características que o identificam às propostas estéticas da 3ª Geração Romântica.
C)   O poema é percorrido, inicialmente, por um tom otimista, expressando o desejo de viver do eu-lírico e ao final perpassa um tom mais pessimista, com um eu-lírico conformado com a morte.
D)   O poema se constitui, principalmente, da descrição de cenas em ambientes noturnos. Esse artifício, privilegiado pelos poetas românticos, contribui para o estabelecimento de uma atmosfera de sonho.
E)   O poema se organiza a partir do conformismo do eu-lírico diante da morte, refletindo, assim, o pensamento proposto pelos poetas românticos da 3ª Geração Romântica.

02.  Os versos “Oh! eu quero viver, beber perfumes / Na flor silvestre, que embalsama os ares; / Ver minh'alma adejar pelo infinito, / Qual branca vela n'amplidão dos mares. / No seio da mulher há tanto aroma... / Nos seus beijos de fogo há tanta vida...” refletem que desejo do eu-lírico?

03.  “Mas uma voz responde-me sombria: Terás o sono sob a lájea fria”. Qual a função desses versos no poema?

04.  A mulher, nos poemas de Castro Alves, já não é tão inacessível como nos demais poemas românticos. A figura feminina é vista de maneira mais concreta e sensual. Aponte no texto os versos que confirmem essa visão mais real que o poeta possui da mulher.

05.  Leia os versos a seguir:
“Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro”.
LEMBRANÇA DE MORRER – ÁLVARES DE AZEVEDO

“Ai! Morrer – é trocar astros por círios,
Leito macio por esquife imundo,
Trocar os beijos da mulher – no visco
Da larva errante no sepulcro fundo,
Ver tudo findo…”
MOCIDADE E MORTE – CASTRO ALVES

Comparando os dois fragmentos, podemos afirmar que:
A)  No primeiro, ao utilizar-se de comparações, é conferido ao tema Morte o mesmo sentido dado pelo eu-lírico no 2º fragmento.
B)   No segundo, manifesta-se o desejo pela morte, tal como no primeiro fragmento.
C)   No primeiro, o eu-lírico concebe à vida características ligadas ao que é bom e belo.
D)  No segundo, o eu-lírico expressa seus desejos acerca dos seus últimos momentos de vida.
E)  No primeiro, o eu-lírico vê a morte como um alívio diante dos sofrimentos que a vida traz.

06.  Em determinado momento, no poema, o eu-lírico revela que, apesar de tamanha vontade de viver, sabe da proximidade da morte. Indique a passagem do texto que faz essa revelação.

07.  Nos versos “E eu morro, ó Deus! Na aurora da existência, / Quando a sede e o desejo em nós palpita…”, o eu-lírico expressa:
A)   A certeza de que a morte virá no momento em que a juventude atingiu o seu auge.
B)   A conformidade com a única certeza que o ser humano possui: a morte.
C)   A preocupação com o seu estado físico, defendendo o cuidado com a vida.
D)   O cuidado que todos devemos ter para protelar a chegada da morte.
E)   O modo como todos devemos enxergar a vida: como algo passageiro.

08.  ANTÔNIO FREDERICO DE CASTRO ALVES (Curralinho, hoje Castro Alves, Bahia, 1847 – Salvador, 1871). Filho de um médico. Fez os estudos secundários no Ginásio Baiano, dirigido por Abílio César Borges. Entrou no Curso de Direito em Recife, onde já começava a campanha liberal-abolicionista, de que seria um dos primeiros líderes, junto a Tobias Barreto. Apaixona-se pela atriz Eugênia Câmara para quem escreve o drama Gonzaga ou a Revolução de Minas, levado à cena em Salvador, quando já o poeta se encaminhava para S. Paulo a fim de continuar os estudos. Chegando em 1868, une-se ao melhor da juventude acadêmica nessa fase de ruptura com os aspectos mais rançosos da política imperial.
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira, São Paulo: Cultrix, 1999.

Considerando seus conhecimentos acerca dos gêneros textuais, o texto citado aborda:
A)  A apresentação da vida de uma personalidade, organizada, sobretudo, pela tipologia narrativa, apresentando também o contexto histórico no qual tal personalidade estava inserida.
B) Explicações da vida de um renomado escritor, constituídas de tese, argumentos e conclusão, demonstrando, assim, uma estrutura argumentativa.
C) Fatos realistas e fatos ficcionais relacionados à vida de um renomado escritor romântico, destacando a presença de opiniões relativas à vida desse escritor.
D)  Questionamentos sobre os posicionamentos políticos de uma personalidade literária, enfatizando suas ideologias, sem preocupar-se com a ordem cronológica dos fatos.
E) Questões polêmicas e fatos diversos da vida de uma personalidade histórica, ressaltando, principalmente, sua vida amorosa, empregando uma linguagem subjetiva e metafórica.

GABARITO
01.  C
02.  Refletem o desejo de viver do eu-lírico.
03.  Estabelecem, no poema, um tom de pessimismo diante do grande otimismo do eu-lírico.
04.  “No seio da mulher há tanto aroma… / Nos seus beijos de fogo há tanta vida…”
05.  E
06.  “E eu sei que vou morrer… dentro em meu peito / Um mal terrível me devora a vida.”
07.  A
08.  A


segunda-feira, 16 de maio de 2016

ÚLTIMO BEIJO DE AMOR DO LIVRO NOITE NA TAVERNA DE ÁLVARES DE AZEVEDO - Atividades referentes ao conto

Último beijo de amor. (Álvares de Azevedo)
Well Juliet! I shall lie witc thee to night! Shakespeare. Romeu e Julieta.
A noite ia alta: a orgia findara. Os convivas dormiam repletos, nas trevas.
Uma luz raiou súbito pelas fisgas da porta. A porta abriu-se. Entrou uma mulher vestida de negro. Era pálida, e a luz de uma lanterna, que trazia erguida na mão, se derramava macilenta nas faces dela e dava lhe um brilho singular aos olhos. Talvez que um dia fosse uma beleza típica, uma dessas imagens que fazem descorar de volúpia nos sonhos de mancebo. Mas agora com sua tez lívida, seus olhos acesos, seus lábios roxos, suas mãos de mármore, e a roupagem escura e gotejante da chuva, disséreis antes—o anjo perdido da loucura.
A mulher curvou-se: com a lanterna na mão procurava uma por uma entre essas faces dormidas um rosto conhecido.
Quando a luz bateu em Arnold, ajoelhou-se. Quis dar-lhe um beijo, alongou os lábios... Mas uma ideia a susteve. Ergueu-se. Quando chegou a Johann, que dormia, um riso embranqueceu-lhe os beiços: o olhar tornou-se-lhe sombrio.
Abaixou-se junto dele, depôs a lâmpada no chão. O lume baço da lanterna dando nas roupas dela espalhava sombra sobre Johann. A fronte da mulher pendeu e sua mão passou na garganta dele. Um soluço rouco e sufocado ofegou daí. A desconhecida levantou-se. Tremia; e ao segurar na lanterna ressoou-lhe na mão um ferro... Era um punhal... Atirou-o no chão. Viu que tinha as mãos vermelhas—enxugou-as nos longos cabelos de Johann...
Voltou a Arnold; sacudiu-o.
—Acorda e levanta-te!
—Que me queres?
—Olha-me: não me conheces?
—Tu! e não é um sonho? És tu! oh! deixa que eu te aperte ainda! Cinco anos sem ver-te! Cinco anos! E como mudaste!
—Sim: já não sou bela como há cinco anos! É verdade, meu loiro amante! É que a flor de beleza é como todas as flores. Alentai-as ao orvalho da virgindade, ao vento da pureza, e serão belas... Revolvei-as no lodo... e, como os frutos que caem e mergulham nas águas do mar, cobrem-se de um invólucro impuro e salobre! Outrora era Geórgia, a virgem, mas hoje é Geórgia, a prostituta!
—Meu Deus! Meu Deus!
 E o moço sumiu a fronte nas mãos.
—Não me amaldiçoes, não!
 —Oh! deixa que me lembre: estes cinco anos que passaram foram um sonho. Aquele homem do bilhar, o duelo à queima-roupa, meu acordar num hospital, essa vida devassa onde me lançou a desesperação, isto é um sonho! Oh! Lembremo-nos do passado! Quando o inverno escurece o céu, cerremos os olhos; pobres andorinhas moribundas! Lembremo-nos da primavera!...
—Tuas palavras me doem... É um adeus, é um beijo de adeus e separação que venho pedir-te. Na terra nosso leito seria impuro, o mundo manchou nossos corpos. O amor do libertino e da prostituta! Satan riria de nós. E no céu, quando o túmulo nos lavar em seu banho, que se levantara nossa manhã de amor. . .
—Oh! Ver-te e para deixar-te ainda uma vez! E não pensaste, Geórgia, que me fora melhor ter morrido devorado pelos cães na rua deserta, onde me levantaram cheio de sangue? Que fora-te melhor assassinar-me no dormir do ébrio, do que apontar-me a estrela errante da ventura e apagar-me a do céu? Não pensaste que, após cinco anos, cinco anos de febre e de insônias, de esperar e desesperar, de vida por ti, de saudades e agonia, fora o inferno ver-te para deixar-te?
—Compaixão, Arnold! É preciso que esse adeus seja longo como a vida. Vês, minha sina é negra: nas minhas lembranças há uma nódoa torpe... Hoje! É o leito venal... Amanhã!... só espero no leito do túmulo! Arnold! Arnold!
—Não me chames Arnold! Chama-me Artur como dantes. Artur! Não ouves? Chama-me assim! Há tanto tempo que não ouço me chamarem por esse nome! ... Eu era um louco! Quis afogar meus pensamentos e vaguei pelas cidades e pelas montanhas deixando em toda a parte lágrimas… nas cavernas solitárias, nos campos silenciosos, e nas mesas molhadas de vinho! Vem, Geórgia! Senta-te aqui, senta-te nos meus joelhos—bem conchegada a meu coração. . . tua cabeça no meu ombro! Vem! Um beijo! Quero sentir ainda uma vez o perfume que respirava outrora nos teus lábios. Respire-o eu e morra depois!... Cinco anos! Oh! Tanto tempo a esperar-te, a desejar uma hora no teu seio! Depois... escuta... tenho tanto a dizer-te! Tantas lágrimas a derramar no teu colo! Vem! E dir-te-ei toda a minha história! Minhas ilusões de amante e as noites malditas da crápula, e o tédio que me inspiravam aqueles beiços frios das vendidas que me beijavam! Vem! Contar-te-ei tudo isso, dir-te-ei como profanei minha alma e meu passado… e choraremos juntos… e nossas lágrimas nos lavarão como a chuva lava as folhas do lodo!
—Obrigada, Artur! Obrigada!
A mulher sufocava-se nas lágrimas, e o mancebo murmurava entre beijos palavras de amor.
—Escuta, Artur, eu vinha só dizer-te adeus! Da borda do meu túmulo; e depois contente fecharia eu mesma a porta dele... Artur, eu vou morrer!
Ambos choravam.
—Agora vê - continuou ela. Acompanha-me: vês aquele homem?
Arnold tomou a lanterna.
—Johann! morto! Sangue de Deus! Quem o matou?
—Geórgia. Era ele um infame. Foi ele quem deixou por morto um mancebo a quem esbofeteara numa casa de jogo. Geórgia a prostituta vingou nele Geórgia, a virgem. Esse homem foi quem a desonrou! Desonrou-a... a ela que era sua irmã!!
—Horror! Horror!
E o moço virou a cara e cobriu-a com as mãos.
A mulher ajoelhou-se a seus pés.
—E agora adeus! Adeus que morro! Não vês que fico lívida, que meus olhos se empanam e tremo... e desfaleço?
—Não! Eu não partirei. Se eu vivesse amanha haveria uma lembrança horrível em meu passado...
—E não tens medo? Olha! É a morte que vem! É a vida que crepuscula em minha fronte. Não vês esse arrepio entre minhas sobrancelhas? . . .
—E que me importa o sonho da morte? Meu porvir amanha seria terrível; e à cabeça apodrecida do cadáver não ressoam lembranças; seus lábios gruda-os a morte; a campa e silenciosa. Morrerei!
A mulher recuava... recuava. O moço tomou-a nos braços, pregou os lábios nos dela… Ela deu um grito, c caiu-lhe das mãos Era horrível de ver-se. O moço tomou o punhal, fechou os olhos, apertou-o no peito, e caiu sobre ela. Dois gemidos sufocaram-se no estrondo do baque de um corpo...
A lâmpada apagou-se.
NOITE NA TAVERNA - ÁLVARES DE AZEVEDO


01.  Como o narrador descreve a mulher que acaba de entrar na Taverna?
02.  A mulher entra na Taverna e procura por alguém com a ajuda de uma lanterna. Encontrou Arnold e Johann. Como a mulher reagiu ao encontrá-los?
03.  Destaque do texto a passagem em que Giorgia, a mulher misteriosa, mata Johann.
04.  Percebe-se que o conto “Último beijo de amor” é a sequência dos acontecimentos ocorridos no conto anterior “Johann”. Desse modo, explique o que aconteceu com Arthur após o duelo com Johann.
05.  O retorno ao passado, característica do Romantismo, é visto no conto através de que artifício?
06.  “A mulher recuava… recuava. O moço tomou-a nos braços, pregou os lábios nos dela… ela deu um grito, e caiu-lhe das mãos. Era horrível de ver-se. O moço tomou o punhal, fechou os olhos, apertou-o no peito, e caiu sobre ela. Dois gemidos sufocaram-se no estrondo do baque de um corpo…”
Intertextualidade é a relação que se estabelece entre dois textos quando um deles faz referência a elementos existentes no outro. Desse modo, indique com que texto da Literatura Universal a passagem acima dialoga?

GABARITO
01.  Tez lívida, olhos acesos, lábios roxos, mãos de mármore e a roupagem escura e gotejante da chuva.
02.  Ao encontrar Arnold, a mulher ajoelhou-se e quis beijá-lo, porém não o fez. Quando chegou a Johann, que dormia, um riso embranqueceu-lhe os beiços: o olhar tornou-se-lhe sombrio.
03.  “Abaixou-se junto dele, depôs a lâmpada no chão. O lume baço da lanterna dando nas roupas dela espalhava sombra sobre Johann. A fronte da mulher pendeu e sua mão passou na garganta dele. Um soluço rouco e sufocado ofegou daí. A desconhecida levantou-se. Tremia; e ao segurar na lanterna ressoou-lhe na mão um ferro... Era um punhal... Atirou-o no chão. Viu que tinha as mãos vermelhas—enxugou-as nos longos cabelos de Johann...”
04.  Arthur não morre no duelo com Johann. Ele fora levado a um hospital e logo após sai vagando pelas ruas a espera de sua amada.
05.  O uso do flash-back.
06.  Romeu e Julieta.