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sábado, 28 de maio de 2016

A ESCRAVA ISAURA - Atividades referentes ao Romance

TEXTO 01
“Leôncio achara desde a infância nas larguezas e facilidades de seus pais amplos meios de corromper o coração e extraviar a inteligência. Mau aluno e criança incorrigível, turbulento e insubordinado, andou de colégio em colégio e passou como   gato por brasas por cima de todos os preparatórios, cujos exames, todavia, sempre salvara à sombra do patronato. Os mestres não se atreviam a dar ao nobre e munífico comendador o desgosto de ver seu filho reprovado. Matriculado na escola de medicina logo no primeiro ano enjoou-se daquela disciplina, e como seus pais não sabiam contrariá-lo, foi para Olinda a fim de frequentar o curso jurídico. Ali, depois de ter dissipado não pequena porção da fortuna paterna na satisfação de todos os seus vícios e loucas fantasias, tomou tédio também aos estudos jurídicos e ficou entendendo que só na Europa poderia desenvolver dignamente a sua inteligência e saciar a sua sede de saber, em puros e abundantes mananciais. Assim escreveu ao pai, que deu-lhe crédito e o enviou a Paris, donde esperava vê-lo voltar feito um novo Humboldt. Instalado naquele vasto pandemônio do luxo e dos prazeres, Leôncio, raras vezes, e só por desfastio, ia ouvir as eloquentes preleções dos exímios professores da época e nem tampouco era visto nos museus, institutos e bibliotecas. Em compensação era assíduo frequentador do Jardim Mabile, assim como de todos os cafés e teatros mais em voga, e tornara-se um dos mais afamados e elegantes leões dos bulevares”.
GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. São Paulo, Editora Ática, 17ª edição,1991.

01.  O tema do texto é:
A)   A descrição do caráter de Leôncio, tomando como exemplo sua conduta quando criança e adolescente.
B)   A maneira eficaz dos pais educarem seu filho único, não esquecendo de repassar a ele valores como ética, nacionalismo, amor aos pais.
C)   A situação precária do ensino no país que forçou os pais de Leôncio a patrocinarem seus estudos em Paris.
D)   A preocupação dos pais de Leôncio em relação a sua educação, primando sempre por boas universidades e professores de excelência.
E)   A triste situação de Leôncio que, desde cedo, teve que se separar dos pais para estudar fora do país.

02.  Em “(…) andou de colégio em colégio e passou como gato por brasas por cima de todos os preparatórios (…)”, a expressão destacada tem o sentido de:
A)   Passou, com muito esmero, por cima de todos os preparatórios.
B)   Passou, conforme a maioria dos alunos, por cima de todos os preparatórios.
C)   Passou, de maneira abrupta, por cima de todos os preparatórios.
D)   Passou, de maneira superficial, por cima de todos os preparatórios.
E)   Passou, de modo discreto, por cima de todos os preparatórios.

03.  O trecho “(…)Leôncio, raras vezes, e só por desfastio, ia ouvir as eloquentes preleções dos exímios professores da época e nem tampouco era visto nos museus, institutos e bibliotecas.” refere-se:
A)   À falta de interesse de Leôncio no que diz respeito aos estudos e ao conhecimento.
B)   Á necessidade que Leôncio tinha em ouvir as palestras de seus professores.
C)  Ao excesso de confiança de Leôncio em seus conhecimentos, acreditando não seu necessária tanta dedicação.
D)   Ao fato de Leôncio não entender as aulas ministradas e preferir afastar-se do ambiente acadêmico.
E)  Ao número excessivo de vezes que Leôncio era visto nos ambientes culturais da cidade.

TEXTO 02
“Mas essa tal ou qual tranquilidade só durou até o dia em que, pela primeira vez, viu Álvaro. Amou-o com esse amor exaltado das almas elevadas que amam pela primeira e única vez e esse amor, como bem se compreende, veio tornar ainda mais crítica e angustiosa a sua já tão precária e mísera situação”.
GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. São Paulo, Editora Ática, 17ª edição,1991.

04.  O tema do fragmento citado é típico do Romantismo Brasileiro, configurando uma forte característica dos heróis e heroínas dessa escola literária. O fundamento dessa característica é:
A)   A angústia causada pela ausência do verdadeiro amor.
B)   A certeza de que o verdadeiro amor não acentua os obstáculos que a vida oferece.
C)   A crença no amor à primeira vista e na singularidade desse acontecimento.
D)   A tranquilidade resultante da certeza de sentir-se amado.
E)   O alívio causado pela descoberta do primeiro amor.

TEXTO 03
“- Tu o disseste, Geraldo, amo-a muito, e hei de amá-la sempre, nem disso faço mistério algum. E será coisa estranha ou vergonhosa amar-se uma escrava? O patriarca Abraão amou sua escrava Agar, e por ela abandonou Sara, sua mulher. A humildade de sua condição não pode despojar Isaura da cândida e brilhante auréola de que a via e até hoje a vejo circundada. A beleza e a inocência são astros que mais refulgem quando engolfados na profunda escuridão do infortúnio.
- É bela a tua filosofia e digna de teu nobre coração, mas que queres? As leis civis, as convenções sociais, são obras do homem, imperfeitas, injustas e, muitas vezes, cruéis. O anjo padece e geme sob o jogo da escravidão, e o demônio exalça-se ao fastígio da fortuna e do poder”.
GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. São Paulo, Editora Ática, 17ª edição,1991.

05.  Ao utilizar-se em seu argumento o exemplo bíblico da patriarca Abraão, que abandonou sua esposa Sara pelo amor da escrava Agar, Álvaro pretende:
A)   Convencer seu amigo Geraldo de que não é loucura todo o amor devotado a Isaura.
B)  Defender a tese de que a beleza de Isaura é enaltecida graças a sua condição de escrava.
C) Explicar ao amigo que o infortúnio da escravidão sempre serviu de obstáculo aos amantes.
D)   Mostrar que a condição de escrava de sua amada aguça a ambição de seu senhor.
E)   Ressaltar que seu amor é proibido e praticamente impossível aos olhos de Deus e dos homens.

06.  Geraldo reflete sobre a condição de escrava de Isaura. Qual o ponto de vista do amigo de Álvaro?

 TEXTO 04
“ – Não gosto que a cantes, não, Isaura. Hão de pensar que és maltratada, que és uma escrava infeliz, vítima de senhores bárbaros e cruéis. Entretanto, passas aqui uma vida que faria inveja a muita gente livre. Gozas da estima de teus senhores. Deram-te uma educação como não tiveram muitas ricas e ilustres damas que eu conheço. És formosa e tens uma cor linda, que ninguém dirá que gira em tuas veias uma gota de sangue africano. Bem sabes quanto minha boa sogra antes de expirar te recomendava a mim e a meu marido. Hei de respeitar sempre as recomendações daquela santa mulher, e tu bem vês, sou mais tua amiga do que tua senhora. Oh! Não, não cabe em tua boca essa cantiga lastimosa, que tanto gostas de cantar. – Não quero – continuou em tom de branda repreensão – não quero que a cantes mais, ouviste Isaura? … se não fecho-te o meu piano”.

GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. São Paulo, Editora Ática, 17ª edição,1991

TEXTO 05


07.  No texto 04, Malvina se aborrece com a triste canção, que fala sobre o infortúnio da escravidão, cantada por Isaura. De acordo com o texto, Malvina:
A)  Concorda com a tristeza de Isaura, porém adverte a pobre escrava de que sua condição é bem melhor que a de outras escravas.
B)  Considera que não há a necessidade de libertar Isaura, pois a família já dedica a ela uma educação digna das grandes damas da sociedade.
C)   Destaca que a beleza de Isaura encontra-se na sua ascendência negra e que a moça deveria alegrar-se com o tratamento dedicado a ela.
D)  Mostra que Isaura deve sentir-se feliz, visto que é tratada como qualquer moça da sociedade.
E)   Reflete sobre a situação da mulher escrava no Brasil, bem como critica o preconceito racial existente.

08.  Destaque do texto 04 a passagem que reproduz uma visão preconceituosa em relação ao negro.

09.  No texto 05, a personagem Susanita expressa duas opiniões sobre preconceito racial. Indique essas duas opiniões e em qual delas Susanita realmente acredita.

10.  A personagem Susanita, do texto 05, bem como Malvina, no texto 04, expressam uma visão preconceituosa em relação ao negro. O problema da intolerância racial ainda é comum, nos dias de hoje, e atinge todas as classes sociais. Temos como exemplo atores, apresentadores, pessoas públicas em geral que sofrem injúrias raciais, através de postagens em suas redes sociais. Diante desse triste quadro, o que a sociedade ou o governo podem fazer para extinguir esse preconceito? Estabeleça ações, proponha soluções para o problema.

GABARITO
01.  A
02.  D
03.  A
04.  C
05.  A
06.  Geraldo acredita que as leis e as convenções sociais são obras do homem e, por esse motivo, são imperfeitas, injustas e cruéis. De acordo com ele, Isaura sofre com a sua condição de cativa e seu senhor, Leôncio, aproveita-se da situação para utilizar-se de seu poder e dinheiro para fortalecer seu domínio.
07.  D
08.  “És formosa e tens uma cor linda, que ninguém dirá que gira em tuas veias uma só gota de sangue africano”.
09.  Primeira opinião: Susanita não tem preconceito racial por acreditar que todos são iguais.
Segunda opinião: Susanita sai rapidamente para lavar o dedo após pegar no boneco, indicando que tem, sim, preconceito racial.
Na verdade, Susanita expressa na tirinha que possui, sim, preconceito.




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sábado, 21 de maio de 2016

MOCIDADE E MORTE - CASTRO ALVES - Atividades referentes ao poema

MOCIDADE E MORTE
E perto avisto o porto
Imenso, nebuloso e sempre noite
Chamado - Eternidade-
(Laurindo)
Lasciate ogni speranza, voi ch'entrate.
(Dante)
Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
- Árabe errante, vou dormir à tarde
A sombra fresca da palmeira erguida.
Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.
Morrer... quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! o seio da amante é um lago virgem...
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! formosa mulher - camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas,
Minh'alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas ...
E a mesma voz repete-me terrível,
Com gargalhar sarcástico: - impossível!
Eu sinto em mim o borbulhar do gênio,
Vejo além um futuro radiante:
Avante! - brada-me o talento n'alma
E o eco ao longe me repete - avante! –
O futuro... o futuro... no seu seio...
Entre louros e bênçãos dorme a glória!
Após - um nome do universo n’alma,
Um nome escrito no Panteon da história.
E a mesma voz repete funerária:
Teu Panteon - a pedra mortuária!
Morrer - é ver extinto dentre as névoas
O fanal, que nos guia na tormenta:
Condenado - escutar dobres de sino,
- Voz da morte, que a morte lhe lamenta –
Ai! morrer - é trocar astros por círios,
Leito macio por esquife imundo,
Trocar os beijos da mulher - no visco
Da larva errante no sepulcro fundo,
Ver tudo findo... só na lousa um nome,
Que o viandante a perpassar consome.
E eu sei que vou morrer... dentro em meu peito
Um mal terrível me devora a vida:
Triste Ahasverus, que no fim da estrada,
Só tem Por braços uma cruz erguida.
Sou o cipreste, qu'inda mesmo florido,
Sombra de morte no ramal encerra!
Vivo - que vaga sobre o chão da morte,
Morto - entre os vivos a vagar na terra.
Do sepulcro escutando triste grito
Sempre, sempre bradando-me: maldito! ~
E eu morro, ó Deus! na aurora da existência,
Quando a sede e o desejo em nós palpita..
Levei aos lábios o dourado pomo,
Mordi no fruto podre do Asfaltita.
No triclínio da vida - novo Tântalo
O vinho do viver ante mim passa...
Sou dos convivas da legenda Hebraica,
O estilete de Deus quebra-me a taça.
É que até minha sombra é inexorável,
Morrer! morrer! soluça-me implacável.
Adeus, pálida amante dos meus sonhos!
Adeus, vida! Adeus, glória! amor! anelos!
Escuta, minha irmã, cuidosa enxuga
Os prantos de meu pai nos teus cabelos.
Fora louco esperar! fria rajada
Sinto que do viver me extingue a lampa...
Resta-me agora por futuro - a terra,
Por glória - nada, por amor - a campa.
Adeus... arrasta-me uma voz sombria,
Já me foge a razão na noite fria! ...
CASTRO ALVES

01.  Assinale a alternativa correta em relação ao poema Mocidade e Morte, de Castro Alves:
A)   A figura da mulher aparece, no poema, como fruto da imaginação do eu-lírico. Trata-se de uma virgem idealizada, inalcançável, expressando, assim, a frustração amorosa do eu-lírico.
B)  A valorização de elementos da natureza, presente nos trechos “Na flor silvestre, que embalsama os ares”, “A sombra fresca da palmeira erguida”, confere ao poema características que o identificam às propostas estéticas da 3ª Geração Romântica.
C)   O poema é percorrido, inicialmente, por um tom otimista, expressando o desejo de viver do eu-lírico e ao final perpassa um tom mais pessimista, com um eu-lírico conformado com a morte.
D)   O poema se constitui, principalmente, da descrição de cenas em ambientes noturnos. Esse artifício, privilegiado pelos poetas românticos, contribui para o estabelecimento de uma atmosfera de sonho.
E)   O poema se organiza a partir do conformismo do eu-lírico diante da morte, refletindo, assim, o pensamento proposto pelos poetas românticos da 3ª Geração Romântica.

02.  Os versos “Oh! eu quero viver, beber perfumes / Na flor silvestre, que embalsama os ares; / Ver minh'alma adejar pelo infinito, / Qual branca vela n'amplidão dos mares. / No seio da mulher há tanto aroma... / Nos seus beijos de fogo há tanta vida...” refletem que desejo do eu-lírico?

03.  “Mas uma voz responde-me sombria: Terás o sono sob a lájea fria”. Qual a função desses versos no poema?

04.  A mulher, nos poemas de Castro Alves, já não é tão inacessível como nos demais poemas românticos. A figura feminina é vista de maneira mais concreta e sensual. Aponte no texto os versos que confirmem essa visão mais real que o poeta possui da mulher.

05.  Leia os versos a seguir:
“Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro”.
LEMBRANÇA DE MORRER – ÁLVARES DE AZEVEDO

“Ai! Morrer – é trocar astros por círios,
Leito macio por esquife imundo,
Trocar os beijos da mulher – no visco
Da larva errante no sepulcro fundo,
Ver tudo findo…”
MOCIDADE E MORTE – CASTRO ALVES

Comparando os dois fragmentos, podemos afirmar que:
A)  No primeiro, ao utilizar-se de comparações, é conferido ao tema Morte o mesmo sentido dado pelo eu-lírico no 2º fragmento.
B)   No segundo, manifesta-se o desejo pela morte, tal como no primeiro fragmento.
C)   No primeiro, o eu-lírico concebe à vida características ligadas ao que é bom e belo.
D)  No segundo, o eu-lírico expressa seus desejos acerca dos seus últimos momentos de vida.
E)  No primeiro, o eu-lírico vê a morte como um alívio diante dos sofrimentos que a vida traz.

06.  Em determinado momento, no poema, o eu-lírico revela que, apesar de tamanha vontade de viver, sabe da proximidade da morte. Indique a passagem do texto que faz essa revelação.

07.  Nos versos “E eu morro, ó Deus! Na aurora da existência, / Quando a sede e o desejo em nós palpita…”, o eu-lírico expressa:
A)   A certeza de que a morte virá no momento em que a juventude atingiu o seu auge.
B)   A conformidade com a única certeza que o ser humano possui: a morte.
C)   A preocupação com o seu estado físico, defendendo o cuidado com a vida.
D)   O cuidado que todos devemos ter para protelar a chegada da morte.
E)   O modo como todos devemos enxergar a vida: como algo passageiro.

08.  ANTÔNIO FREDERICO DE CASTRO ALVES (Curralinho, hoje Castro Alves, Bahia, 1847 – Salvador, 1871). Filho de um médico. Fez os estudos secundários no Ginásio Baiano, dirigido por Abílio César Borges. Entrou no Curso de Direito em Recife, onde já começava a campanha liberal-abolicionista, de que seria um dos primeiros líderes, junto a Tobias Barreto. Apaixona-se pela atriz Eugênia Câmara para quem escreve o drama Gonzaga ou a Revolução de Minas, levado à cena em Salvador, quando já o poeta se encaminhava para S. Paulo a fim de continuar os estudos. Chegando em 1868, une-se ao melhor da juventude acadêmica nessa fase de ruptura com os aspectos mais rançosos da política imperial.
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira, São Paulo: Cultrix, 1999.

Considerando seus conhecimentos acerca dos gêneros textuais, o texto citado aborda:
A)  A apresentação da vida de uma personalidade, organizada, sobretudo, pela tipologia narrativa, apresentando também o contexto histórico no qual tal personalidade estava inserida.
B) Explicações da vida de um renomado escritor, constituídas de tese, argumentos e conclusão, demonstrando, assim, uma estrutura argumentativa.
C) Fatos realistas e fatos ficcionais relacionados à vida de um renomado escritor romântico, destacando a presença de opiniões relativas à vida desse escritor.
D)  Questionamentos sobre os posicionamentos políticos de uma personalidade literária, enfatizando suas ideologias, sem preocupar-se com a ordem cronológica dos fatos.
E) Questões polêmicas e fatos diversos da vida de uma personalidade histórica, ressaltando, principalmente, sua vida amorosa, empregando uma linguagem subjetiva e metafórica.

GABARITO
01.  C
02.  Refletem o desejo de viver do eu-lírico.
03.  Estabelecem, no poema, um tom de pessimismo diante do grande otimismo do eu-lírico.
04.  “No seio da mulher há tanto aroma… / Nos seus beijos de fogo há tanta vida…”
05.  E
06.  “E eu sei que vou morrer… dentro em meu peito / Um mal terrível me devora a vida.”
07.  A
08.  A


quinta-feira, 19 de maio de 2016

MEUS OITO ANOS, DE CASIMIRO DE ABREU - Atividades referentes ao poema

Meus oito anos
Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Como são belos os dias
Do despontar da existência !
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !
Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Casimiro de Abreu
 Obras de Casimiro de Abreu, edição crítica de Sousa da Silveira, Cia. Editora Nacional, São Paulo, 1940.
01.  O poema de Casimiro de Abreu reflete sobre a infância, vista no texto de maneira idealizada. De acordo com o eu-lírico:
A)   A infância sempre parecerá aos olhos do indivíduo como pura e perfeita, porém logo percebe-se de que tudo é idealização.
B)   Apenas a infância vivida no campo, no meio da natureza, pode ser considerada feliz e completa.
C)   As saudades que sentimos da infância revelam nosso grau de contentamento com essa fase da vida.
D)   O modo como vivemos na infância influenciará na maneira como iremos vivenciar nossa vida adulta.
E)   O presente revela-se triste e repleto de desilusões, contrastando com um passado feliz, cheio de realizações.

02.  A valorização da natureza é um traço marcante do Romantismo Brasileiro. Destaque do poema versos em que a natureza passa a refletir o estado de espírito do eu-lírico.

03.  As características do Romantismo encontradas no poema de Casimiro de Abreu são:
A)   A abordagem de temas ligados a questões sociais e a reflexão sobre problemas existenciais.
B)   A opção pela visão idealizada da vida e o culto à natureza.
C)   A preocupação social do eu-lírico e a visão idealizada do passado.
D)   A prevalência do lirismo amoroso e a preocupação com a temática nacionalista.
E)   O pessimismo exacerbado diante da vida e a idealização amorosa.

04.  O poeta utiliza-se dessa visão idealizada do passado como forma de escapismo, fugindo assim do momento presente, visto de maneira pessimista. Que versos do poema revelam esse presente pessimismo?

05.  Nos versos “Oh ! que saudades que eu tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais !”, o eu-lírico expressa:
A)   A alegria com a certeza de que esse passado feliz terá consequências no presente.
B)   A angústia diante de um passado inegavelmente idealizado.
C)   O saudosismo sentido, confirmando que esse passado não irá refletir-se no presente.
D)   O sofrimento diante da oposição de um passado feliz e um futuro duvidoso.
E)   A tristeza com a certeza de que apenas foi feliz no passado.

06.  Prosopopeia, ou personificação, é uma figura de linguagem em que são atribuídas ações ou qualidades de seres animados a seres inanimados, ou características humanas a seres não humanos.
Considerando a definição apresentada, os versos do poema “Meus oito anos”, de Casimiro de Abreu, em que podem ser encontrados a referida figura de linguagem é:
     A)   “As ondas beijando a areia,
      E a lua beijando o mar!”
     B)   “Eu ia bem satisfeito,
      Da camisa aberto o peito
      - pés descalços, braços nus – 
C) “Naqueles tempos ditosos
     Ia colher as pitangas,
     Trapava a tirar mangas,
      Brincava à beira do mar.”
     D)   “Oh! Dias da minha infância!
      Oh! Meu céu de primavera!”
    E)   "O mar – é lago sereno,
    O céu – um manto azulado,
    O mundo – um sonho dourado,
    A vida – um hino d’amor.”

O poema abaixo, de Manuel Bandeira, pertence ao livro Lira dos Cinquentanos:
VELHA CHÁCARA
A casa era por aqui...
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.

Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinqüenta anos)
Tantos que a morte levou!
(E a vida... nos desenganos...)

A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...

— Mas o menino ainda existe.
© MANUEL BANDEIRA
In Lira dos cinquent’anos, 1940

07.  Assinale a opção que indica o que há de comum entre o poema de Casimiro de Abreu e o poema de Manuel Bandeira em relação ao assunto:
A)   A certeza de que o passado tende a ser esquecido com o passar dos anos.
B)   A infância vivida no campo é preferível àquela vivida nos grandes centros.
C)   A noção de que a vida nos traz desilusões.
D)   O eu-lírico do passado já não é mais o mesmo do tempo atual.
E)   Não apenas a morte nos tira lembranças, pois a vida, com seus desenganos, também faz esse trabalho.

08.  O poema de Manuel Bandeira manifesta que algumas lembranças já não existem mais. Entretanto, apesar dos cinquenta anos que se passaram, nem tudo foi apagado. Indique a passagem do texto que corrobora com essa afirmação.

GABARITO
01.  E
02.  “– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !”

“O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !”
03.  B
04.  “Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !”
05.  C
06.  A
07.  C
08.  “Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...

— Mas o menino ainda existe.”